Continuo sendo a Amanda. Continuo no mesmo endereço de um ano atrás. Continuo a ser admiradora da lua. Continuo na mesma
casa. Continuo achando que no meu quarto, estou em um mundo só meu . Continuo com o mesmo nome, o mesmo sobrenome, RG, CPF, só que fiz um título. Continuo com o mesmo celular. Continuo com o mesmo jeito direto que
assusta algumas pessoas. Continuo a mesma
boba que sorri de nada. Que faz bico quando chora. Continuo com o mesmo jeito
tímido. Continuo com a mesma
cautela ou sem ela. Continuo com um
exagero abusado e um
drama para achar
graça. Continuo falando
bobagens. Continuo acreditando nos
amores. Continuo quebrando a cara. Continuo brincando de ser
feliz. Continuo eternizando
letras. Continuo a sentir-me plena quando olho a lua cheia. Continuo com minhas insônias. Continuo com minhas defesas,
medos, desesperos. Continuo vivendo muito para dentro. Continuo sem paciência para o social. Vez ou outra dou uma de
João Gilberto. Continuo crítica, principalmente comigo mesma. Continuo
azeda, mas muito doce quando
doce. Continuo do contra e adoro discordar para pirraçar. Continuo a fazer aquela vozinha
cuticuti quando converso (?) com bebês. Continuo séria. Continuo
sorriso. Continuo a fazer telefonemas de
carinho ali no quintal, olhando para o
céu. Continuo viciada em toddynho e choro com filminhos romanticos. Continuo a reclamar do
calor. E se faz frio, reclamo do
frio. Continuo a preferir o inverno. Continuo fã de
sorvetes. Continuo a me
apaixonar todos os dias. Continuo a sofrer para pisar no chão e deixar a
fantasia de lado. Continuo descaradamente
libriana. Continuo com umas
coragens insanas. Continuo a
irmã mais velha das irmãs. Continuo sendo
várias, depende de quem me chama. Continuo a soletrar meu nome em todo canto. Continuo louca por
abraços. Continuo essencialmente fascinada por músicas. Continuo a sorrir quando ouço meus pagodes. Continuo a
fingir que não tenho medo de ficar sozinha. Continuo a ler textos e poesias. E continuo gostanto tanto de cachorros. Continuo orgulhosa e travada nos
euteamos. Continuo com o mesmo
perfume. Continuo sem fazer academia. Continuo a trocar baladas por
cinema. Continuo a ter nojinho de algumas pessoas. Continuo a enxergar no Rio Grande do Sul
um lugar que é abraço. Continuo louca pra sumir daqui. Continuo a cobrir meu
corpo inteiro quando durmo à noite após um filme de terror. Continuo a achar mesmo que o cobertor me protege, nessas situações. Continuo obviamente
besta. E mais
chata. Continuo
observadora demais. Continuo
calada quando muita gente fala ao mesmo tempo. Continuo mais
MPB e bossa. Continuo sempre com um
trident de canela na bolsa. Continuo a achar
estranho unhas dos pés pintadas de vermelho. Continuo a escovar os dentes pensando na vida. Continuo a procurar erros de português em todos os cantos. Continuo a me
sentir feia de vez em quando. Continuo
sarcástica. Continuo ótima ouvinte. Continuo
sensível demais. Continuo
insensível demais. Continuo achando sexta-feira o melhor dia da semana. Continuo acumulando leituras indicadas. Continuo a achar que
chuva forte é aplauso. Continuo com inveja das pessoas que sabem lidar com os problemas. Continuo a me
encantar com
ternurinhas. Continuo a querer aprender inglês . Continuo a ganhar o dia quando me dizem que andei emagrecendo. Continuo sem beber, exceto uma vez que passei dos limites. Continuo sem
formspring, twitter, facebook. Continuo a não usar batom. Continuo a achar
Caio Fernando Abreu o melhor escritor. Continuo preferindo a calça
jeans. Continuo a ver duplo sentido em quase tudo. Continuo a achar melancia uma fruta alegre, porque cada talhada é um sorriso. Continuo achando que preciso usar óculos.Continuo com preconceito
musical. Continuo com
preguiça de gente. Continuo com
saudades imensas dos amores que nunca encontrei. Continuo a não gostar de fotografias. Continuo a não saber me expressar quando estou diante de uma pessoa. Continuo preferindo escrever ao invés de falar. Continuo sendo fã de chocolate. Continuo a me
tranquilizar quando a chuva cai lá fora. Continuo na minha
sozinhez. Continuo a brigar com minha escolha profissional. Continuo a querer ser pedida em casamento todos os dias. Continuo a achar que
ovomaltine do Bob's,
batatas fritas e diamante negro são invenções dignas. Continuo a ficar em pânico com perguntas pessoais. Continuo apavorada quando preciso falar em público.
Continuo a achar que
pra caralho é uma expressão que intensifica as coisas pra caralho. Continuo a dormir com dois lençois , ou então não durmo. Continuo a ser mulherzinha. Continuo a me irritar com quase nada. Continuo a ter
crises existenciais gigantes . Continuo ansiosa. Continuo
solta. Continuo amante do mar. Continuo monstra quando acordo e mais ainda quando sinto
dor. Continuo a contar meus mais
amigos nos dedos da mão direita. Continuo com doses altas de
melancolia. Continuo a
voar para dentro das pessoas quando vejo
pedacinhos meus por lá. Continuo a ver um lado escondido quando o espelho me
enfrenta. Continuo a chorar de repente, do
avesso,
florindo. E depois, posso até sorrir. Continuo a me gastar de maneiras
lindas. E a contabilizar meus pedaços assim, todo dia 11 de outubro. Que esse eu não escolhi, é de fato meu dia . Que me recebeu, com suas
águas. Toda essa promessa de
vida. E vários
corações.
Continuo
amor, só não sei até quando.