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quinta-feira, 26 de abril de 2012


Um domingo de tarde sozinha em casa 
dobrei-me em dois para a frente como em dores de parto 
e vi que a menina em mim estava morrendo.
Nunca esquecerei esse domingo.  Para cicatrizar levou dias.
E eis-me aqui.  Dura, silenciosa e heróica. 

Sem menina dentro de mim. 


(Clarice Lispector)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"As palavras me antecedem e ultrapassam,
elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito."


(Clarice Lispector)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011



O que você tem, todo mundo pode ter. Mas o que você é, ninguém pode ser.
— Clarice Lispector

Não procure alguém que te complete. Complete a si mesmo e procure alguém que te transborde.

(Clarice Lispector)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

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“… não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões, não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante: sempre fundido, porque então viverei, só então viverei maior do que na infância, serei brutal e malfeita como uma pedra, serei leve e vaga como o que se sente e não se entende, me ultrapassarei em ondas, ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreensão de mim mesma em certos momentos brancos porque basta me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte-sem-medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo.” 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Que vontade de fazer uma coisa errada. O erro é apaixonante. Vou pecar. Vou confessar uma coisa: às vezes, só por brincadeira, minto. Não sou nada do que vocês pensam. Mas respeito a veracidade: sou pura de pecados.”

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama, acorda e põe a sua roupa de viver."

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. 
Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. 
É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma."

Clarice Lispector

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O que sou eu então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana e animal.


Exatamente Clarice!
Não, eu não teria vergonha de dizer tão claramente que quero o máximo - e o máximo deve ser atingido e dito com a matemática perfeição da música ouvida e transposta para o profundo arrebatamento que sentimos.


Clarice Lispector
Estou te falando em abstrato e pergunto-me: sou uma ária cantabile? Não, não se pode cantar o que te escrevo. Por que não abordo um tema que facilmente poderia descobrir? mas não: caminho encostada à parede, escamoteio a melodia descoberta, ando na sombra, nesse lugar onde tantas coisas acontecem. Às vezes escorro pelo muro, em lugar onde nunca bate sol. Meu amadurecimento de um tema já seria uma ária cantabile - outra pessoa que faça então outra música - a música do amadurecimento do meu quarteto. Este é antes do amadurecimento. A melodia seria o fato. Mas que fato tem uma noite que se passa inteira em um atalho onde não tem ninguém e enquanto dormimos sem saber de nada? Onde está o fato? Minha história é de uma escuridão tranqüila, de raiz adormecida na sua força, de odor que não tem perfume. E em nada disso existe o abstrato. É o figurativo do inominável. Quase não existe carne nesse meu quarteto. Pena que a palavra “nervos” esteja ligada a vibrações dolorosas, senão seria um quarteto de nervos. Cordas escuras que, tocadas, não falam sobre “outras coisas”, não mudam de assunto - são em si e de si, entregam-se iguais como são, sem mentira nem fantasia.


Clarice Lispector
Daqui em breve serei popular? Isso me assusta. Vou ver o que posso fazer, se é que posso. O que me consola é a frase de Fernando pessoa, que li citada: Falar é o modo mais simples de nos tornarmos desconhecidos.


Clarice Lispecor

Sou uma tímida muito ousada.
- Clarice Lispector.

domingo, 17 de julho de 2011

"Não entendo de sonhos. Mas este me parece um profundo desejo de mudança de vida. Não precisa ser feliz sequer. Basta ano novo. E é tão difícil mudar. Às vezes escorre sangue."

(Clarice Lispector)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Era cruel o que fazia consigo própria: aproveitar que estava em carne viva para se conhecer um pouco melhor, já que a ferida estava aberta.


Lispector!

sábado, 2 de julho de 2011

Isto não é um lamento, é um grito de ave de rapina. Irisada e intranqüila. O beijo no rosto morto. Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos.
De repente as coisas não precisam fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é.
Hoje está um dia de nada. Hoje é zero na hora. Existe por acaso um número que não é nada? que é menos que zero? que começa no que nunca começou porque sempre era? e era antes de sempre? Ligo-me a esta ausência vital e rejuvenesço-me todo, ao mesmo tempo contido e total. Redondo sem início e sem fim. eu sou o ponto antes do zero e do ponto final. Do zero ao infinito vou caminhando sem parar. Mas ao mesmo tempo tudo é fugaz. Eu sempre fui e imediatamente não era mais. O dia corre lá fora à toa e há abismos de silêncios dentro de mim. A sombra de minha alma é o corpo. O corpo é a sombra de minha alma. Sou feliz na hora errada. Infeliz quando todos dançam. Me disseram que os aleijados se rejubilam assim como me disseram que os cegos se alegram. É que os infelizes se compensam. Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro.
 
Clarice Lispector!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Te­nho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída."



Clarice Lispector

“...Ando de um lado pra outro, dentro de mim, as mãos abandonadas, pronta pra inventar uma tragédia russa, pronta pra criar um motivo que me acorde... horrível. Estou tão vaga, tinha vontade de fazer um embrulho de mim, com papel de seda, lacinho de fita, e mandá-lo pra você. Aceita?”

Clarice Lispector

terça-feira, 28 de junho de 2011


Toda mulher leva um sorriso no rosto e mil segredos no coração.”

Clarice Lispector