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terça-feira, 8 de maio de 2012


Coragem
pra amanhecer, encarar, esquentar,
esfriar, amar, desamar, iludir,começar,
terminar, atravessar, acender,
apagar, ir, chegar.
Coragem
pra me olhar no espelho,
dizer que me amo,
sentir que me amo,
sem outro homem, sem tostão no bolso,
sem roupa no corpo, perfume nem nada.
Coragem
pra abraçar e dizer pr'aqueles olhos
"saudade".
Coragem
pra não viver o que for sendo,
a tentar aos bons modos e fazer meus próprios.
Coragem
para os 365 dias e algumas noites em branco,
porres e choros amargos,
gozos agudos e farras vazias.
Coragem
pra casa e pro fogão,
horas a fio tecendo minha estória,
gentes débias e paixões inacabadas.
Coragem
de viver pensando
como quem descobre
que viver é sempre
insuficiente.

domingo, 16 de outubro de 2011





Uns demoram a vida toda pra descobrir, outros jamais descobrem.
Descobri à mim mesma, colidi com meu eu.
Fiz-me incompreensível aos outros, isolei-me de própria vontade.
Só não quero deixar me amargar, fazer da consciência um eterno desconforto.
Basta me encontrar para me perder, basta pensar para sofrer.
Só então entendo os felizes: não pensam.
Minha vida é pensada, e tenho tanto, 
que jamais abandonaria meu pensamento.
De tanto, me tornei pouco: pouco feliz, pouco apaixonada, pouco alienada.
Tão raros são aqueles que me persuadem, tão breves, tão escassos.
Não preciso de muito. 
Preciso de um único, um inteiro.
Preciso de certa absolutez para que de algo possa me sentir completa.
Mas o que de fato no presente momento mais necessito é de mim mesma.
Para que haja possibilidade de próprio querer, de próprio fazer.
Há vida, há medo, há ânsia.
Não nego, jamais.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Misturo fossa com calmante.
Vivo do sono produzido, dos sorrisos plásticos e das falsas impressões.
Sou fruto de uma relação traumática.
Existe uma velha decadente em mim, uma tal cheia de vícios e desgastes.
Ainda não sei se me foi bom encontrar minha dimensão.
Categorizam o que sinto, tentam rotular minha dor.
Ninguém sabe exatamente de mim.
Se sabem, disfarçam conhecimento.
Não passo de invenção.


Melina Flynn
Eu vejo que nada muda, nunca.
Que todos caminham de um lado para o outro sem bem saber onde vai dar.
Que vivem passivamente, e eu não sei viver assim.
Mas que mesmísse árdua.
A vida já me esgota o corpo, não posso imaginar como será.
Não sei sobreviver de normalidade, não sei ignorar os fatos.
Estou cheia de ecos.
Nada me prende a atenção, vivo longe.
Sou inconstante, me desvio fácilmente.
Acho que existe sim paz em mim.
Acho que existe sim quem a traga.
Acima de tudo, quero meu espaço.
Tenho que aprender a conviver com limites.
Tenho que aceitar as perdas, que são tantas.


Melina Flynn

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Não sinto coragem para enfrentar meus dias.
Sinto um vazio imenso que me possui o corpo.
Assim, recebo sua ausência como morte temporária.
Prefiro crer que nas tuas veias correm o negro
desespero do adeus eterno.
À mim resta eu mesma.
Resta fraqueza para me enfrentar.
Preciso de força para conviver com minha lucidez,
e então dar-me conta que as despedidas são diárias,
que buscarei infinitamente, mesmo que em vão.
Me comove tanto esquecimento.
Não permito que me banalizem.
Não permito que exista tanta irrealidade ao meu redor.
É vergonhoso coincidir sempre com o mesmo,
é mediocre não se coincidir nunca.
Amanhã cedo o dia me espera e eu não quero acordar.
Não tão cedo, não tão só.


Melina

Hoje vi o contar do ponteiro do relógio cada minuto.

O que te parece quando vives numa claustrofobia sem fim?

Quando onde estás não parece te pertencer de fato?

E desafio a tua gramática, a tua semi perfeição à compreender.

Olhe em meus olhos e de pronto desnudarás minha alma em parte.

Porque há ocorrências que levo dentro e não há olhar que desvende.

Minhas mórbidas tristezas cansaram-me inteira.

Deixo-me levar pela ilícita irresponsabilidade dos sentimentos.

E pareces tão infiel,

que me fazes querer despedaçar grotescamente cada parte de seu coração.

Este meu tal que me abandonou e deixou padecer em meu peito um vácuo,

um extremo falso hábito de pulsar.

Não há coerência racional para o que me arrebata.

Não vejo indecência ao não enlaçar-me como uma dama.

É que os bons costumes me desfiam a intocável rotina de cercar-me de

minha própria explosão.

O que conforta se não um abraço terno,

se não a veracidade dos olhos que ainda não me vi refletida?

Me conforta o alívio de poetizar meus entorpecentes.

De combinar rigidamente meu vasto querer ao meu limitado poder.

De irradiar a minha imensa verdade a quem quer que seja.

Invade-me sem fim, pobre farsa de meu desastroso deslize.

Melina Flynn
Trezentos e sessenta e cinco dias.
Os felizes são curtos, os tristes são longos.
Longo é o tempo que eu espero. Espero desde que nasci por algo que ainda não sei dizer.
Parece que me deram o caminho, mas não sei para onde ir.
Tenho o eterno sentimento de perda, de saudade que me cai como gula.
São estas teorias inacabáveis, esta imprecisão do que querem e esta falta de entendimento, pois nem sequer há questionamento.
A palidez de meu semblante e de minhas poucas palavras talvez esconda por frações de segundos este enorme caos interior. Mas logo exclama em meu olhar a ferida.
Soa como se o tempo não fosse ser suficiente, como se tudo o que busco será o grande vão de minha existência.
Olhe, não posso me abandonar. Parece fraqueza, mas é sinceridade explícita. E se por um momento eu me deixar de habitar serei tão medíocre quanto os que jamais estiveram em si.
Tenho vocação para crimes, pois roubo de mim mesma estas verdades.
O que será de mim se vivo neste contrário constante?


Melina Flynn

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pra não dizer que eu não disse.

 
Eu nunca chorei por você. Eu chorei pelas noites em branco que eu passei,
pelo estômago que não queria nada, pelas insaciáveis vontades de suprir o vão, por me precipitar ao te deixar entrar. De nada adiantaria tentar te explicar porque você jamais entenderia. Gente como você se desvia da realidade, se ilude nas noites com uma bebida cara, beija os lábios de uma desconhecida e acha que é feliz.
Gente como você não se estabiliza, trabalha e sente sempre uma ausência que não sabe explicar, pois nunca se quer parou para tentar entender. Vai levando a vida como se fosse um jogo, vai engolindo o choro pra não mostrar fraqueza, vai perdendo a hora, vai perdendo o sentido.
Gente como eu não se basta em existir, une a vida com o verbo e suporta a estrondosa morte diária, embarca
na dificuldade de tentar compreender, mesmo que tudo pareça errôneo, mesmo que não hajam seres suficientemente
pensantes que sentem ao teu lado e te dêem ouvidos, ou melhor, o coração.
Assim, tão cansada de não achar sentido pra nada, de perder mais do que ganhar, de buscar
um equilíbrio que me permita ainda sim sentir e jamais deslocar.
Continuo acordando no meio da noite, ainda ligo o rádio e abro a janela, ainda sou insone pelas manhãs, ainda troco de canal a cada dez minutos, ainda tomo café o dia todo e ainda reviro na cama sem parar.
Ando ignorando as aproximações e amando pouco. Adoro sorrir para estranhos e desligar os telefones, tentar parar de querer entender e deixar rolar, mas não consigo encontrar nada que seja suficiente para me calar, e
nem quero. Obviedade me dá rugas.
Naquela noite você foi e acabou pra nós, acabou até algum dia, até nunca 
mais. Logo, começou. Está sendo lindo cada tropeço, cada erguida.
Você sabe, estou sempre esperando algo.
 
Melina Flynn

Aqui.



Tentei me interessar pelo que fosse me distrair e confortar, mas bem sei que de nada conforta pensar.
Parece cada vez mais estranho se ecoa por dentro e passo a ser mero figurante, ou a carregar nitidez isolada, nada que seja de mínima importância aos outros.
Meu esforço agora deveria ser o desapego. As coisas não vão voltar a ser como eram. Aquele gosto doce na boca e os olhos reluzentes de quem tinha no peito não a espera, mas a esperança.
Agora, ausência. Seja por silêncio do que poderia ser dito, ou por perda
de quem poderia ter encontrado. Podia, mas não foi.
Nestes anos de promessas rotineiras de que tudo vai se ajeitar e eu vou mudar. Pobre de mim. Não me adequo nem às minhas próprias regras.
Minhas fugas eram físicas, eram sentimentais. Passava dias me afastando de mim mesma, pra não doer, sabe.
Há gravidade no que sinto. Seja de perigo, seja de queda. É livre a queda, é livre aqui dentro, em mim.


Melinaa Flynn

Se não me olha fundo nos olhos é porque não me conhece, tem medo. Se o gosto
do tabaco arde na minha garganta ou se tuas mãos me enlaçam a cintura, já
não importa. Nada que etanol nas veias não faça desviar. Nada
que um longo banho gelado não fizesse esquecer. Mas tem algo que me tateia a pele e me
invade os ecos, aquilo que não tem nome, aquilo que não se vê, que não se explica.
Você, um estranho pra mim. Eu, uma estranha pra mim. Duas vidas desconhecidas,
atraídas por formas distintas, de modos misturados e confusos. Duas vontades que quando
pensadas, eram explosivas.
É sempre estrondoso me tirar da rotina da obediência. As possibilidades são sempre
estreitas, mas me levavam à amplos caminhos. Meu medo é de me perder fora de mim.
Aqui por dentro tá tudo remexido, flutuando em constante movimento. Lá fóra as coisas
perdem a dimensão e se misturam com o êxtase. Meu medo é não ter onde encostar a cabeça,
é ter esse gosto pela contradição.
Eu suspirava sozinha pensando que tudo isso não passava de uma ausência que existe dentro
de mim. Eu falto à mim mesma, ou me tenho em excesso. Deve ser isso.
 
Melina Flynn

domingo, 10 de julho de 2011

Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas.

Caio F. Abreu


Nasci do outro lado do globo, desde meu menor indício de vida eu era minoria.
Sempre tive uma vontade desconfortável de querer ir embora. Não sei pra onde, não sei pra quê.
Sou estrangeira aqui e lá, em todos os lugares possíveis.
Toda minha vontade de ir embora é na verdade o desejo oculto de paz. Sim, eu quero conforto dentro e fora de mim. Tenho necessidade de ser compreendida, ou minimamente respeitada.
Não sou parte de nada e nem de ninguém.
Eu me escapo, me desregro, me mato, me negativizo. Pra o que eu sinto não tem limite.
Já fui cega, e era mais feliz. Troquei a felicidade gratuita pela lucidez.
Me lembro que quando pequena, sentava na máquina de costura da minha avó e passava horas olhando pela janela.
Me lembro da constante vontade de ser lembrada, da mania de calçar sapatos que não eram meus, da paixão pelo desconhecido e da mais imensa esperança de viver.
Eu mudei. Deixei um tanto de acreditar. Me comovi com a impossibilidade de certos acontecimentos. Perdi pessoas que ainda vejo, perdi pessoas que não verei jamais. Desacreditei em casamento, religião e televisão.
Mas veja, não mudei tanto assim. Ainda passo horas detrás da vidraça olhando lá fora, tenho sede pelo desconhecido, calço sapatos não meus - mas desta vez, figuramente falando.
A data do meu nascimento é um engano. Na verdade, já nasci e morri tantas vezes que perdi a conta.
Não gosto de resumos. Minha vida não vai ser um texto ou uma estrofe, e sim uma biblioteca toda.
Me ocorreu ser assim, um dia passa, um dia volta. Talvez não se tratem de dias e sim de uma vida toda.
Que seja, me deixo ser.


MelinaFlynn.
Meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé. Preciso agora da tua mão sobre a minha cabeça. Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta. Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato. Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor. Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre.

Caio F. Abreu

O que eu sei, é que tudo que eu menos quis ser é o que hoje eu sou.
Acumulei grossas camadas de desencontros e um amontoado de falências.
Deixei extinguir, deixei acumular. Desordenei tudo o que havia de ordenado e contrariei cada significado pronto.
Não são minhas gavetas ou meus armários, minhas peças de roupas amarrotadas e meus cadernos com folhas rabiscadas. Eu nunca me calei por dentro e minha atenção nunca foi direcionada à uma só coisa.
Minha desorganização parte de dentro, e eu me perco por fragilidade de não querer me encontrar, de encontrar e só então me perder. É tudo extremo, é tudo avesso, inconformado, gritante.
Tantas vezes eu evitei os espelhos para não dar de cara com a minha opacidade, meu desgosto travestido em olhos fundos e remotos, em lábios que não se desgrudavam nem para sorrir.
Me vi corrompida, ajoelhada de olhos cerrados e aos murmúrios dizia que queria ir embora.
A distância ou a proximidade tinha que vir de mim mesma e de todos os meus traumas, meus desajustes e desesperanças.
A vida sou eu, dentro e fora de mim. Só basta me conformar.

Melina.

Emaranhado.

São dias, noites, semanas, meses e até anos tentando consertar aquele silêncio incômodo, uma sensação de distância, uma constância da falta que assusta.
O toque não passa da epiderme. O vínculo, um vício.
Eu queria me desvincular dessa rotina ordinária. Não de fazer, mas de sentir.
Minha vida ainda é breve, ainda é nova, e eu me sinto tão gasta, tão ridiculamente usada.
Aos poucos me canso de sofrer. Me nego, me afasto do límpido.
Minto para me tentar fazer feliz. As coisas são simples quando não pensadas e não tocadas, é
que quero além da matéria.
Meu coração se secou. Sou um deserto por dentro e por fora.
Vivo num tempo destrinchado em memórias, tempo de espera contínua.
Meu desespero é incompreendido. Se falado ou calado, é sempre loucura.
É estranho sentir dormência quando a outra metade grita.
Acho que parte de mim é vontade, a outra parte é medo de me enfrentar.
Na verdade eu não quero ter que me apegar. Sei que num breve fim, tudo se aleja de mim.
Devo parar com a mania de querer limpar os sujos e adestrar o mundo, já que ele não me pertence e eu jamais pertencerei.
A vida tenta me regrar e eu escapo. Sou sempre o acúmulo de células que caminha, que pressente, que agrava.

Melina F.

Olha, sou complicada. Sou enrolada na minha infinidade de sentimentos. Faço drama, comédia e romance porque sinto tédio da vida. Não me espelho em ninguém porque ninguém sabe o que é certo. Não há o certo. Há o menos
incômodo ao próximo e pronto. A vida se trata de agrados aos outros pois de fato sua felicidade não é tão importante, desde que isso não me faça infeliz. Entende? Não importa.
Vou escrever em guardanapos meus pensamentos. Terei lapsos filosóficos,
lerei Bukowski até o raiar do sol e beberei do que a minha sede quiser. O amor me cai mais necessário do que qualquer órgão vital. Talvez seja por isso que me sinto tão enferma.
Detesto ter que me conformar com coisas que pra mim são inconformáveis. Eu não sei gostar e desgostar assim, de repente. Então não adentre em minha vida
como um estranho adentra numa sala. E não queira minha pele por fraqueza.
Meus olhos são tão nús quanto meu corpo quando desnudo. E não aguentarás meu sabor na tua boca: sou ácida. Minha verdade é corrosiva, tanto que às vezes me evito. É saudável me esquecer.
Talvez isto só me traga dor. Talvez eu seja cada vez mais prolixa. Talvez eu acabe sempre no talvez.

Melina F.

sábado, 9 de julho de 2011

Não estou desesperada. Nada além do que eu sempre fui. Não posso querer me afundar em distração nenhuma porque estarei errada, seguindo no caminho torto pra depois voltar para a estrada em linha reta, fluir lentamente naquele tráfego de pessoas que aceitam, mas eu sempre desvio ou acelero quando não devo, quando dizem pra que eu não vá. Preciso parar de encontrar um sentido pra tudo. Por trás desta carne há um mundo, uma infinidade de coisas jamais compreendidas, nem tampouco nomeadas. É aquilo que pulsa e pronto. É por isso que não sou exata em nada, porque me deixo guiar pelo pulsante. Não posso definir o que quero, acho que é felicidade, acho que é paz, acho que é não viver assim, nesse caos.Me tira desse limite, me socorre dessa dor imensa e dessa solidão acompanhada. Preciso ser o contrário do que sou.

Melina Flynn
Restam em mim restos de uma vida consumada, consumida de afetos e seus desafetos, guiadas por razões e seus entorpecentes desvios.
Há ainda o impulso de quem vive na esperança, de quem espera um dia ser mais últil para si mesma.
Sanar essas turbulências e aquietar estes gritos, apagar a lembrança nostálgica da saudade do não vivido. Despregar de mim todos estes males, sejam eles estes hábitos de me esgotar em excessos, sejam eles a tua incompreensível partida.
Que conviver comigo seja mais confortável. Que acalme em mim estes involuntários desejos de ser, somente ser e não ter de me explicar ou entender.
Que eu me conforme com o ciclo absurdo da vida. É que nascer e morrer me serão eternos por quês.
E se amar não me fosse tão necessário, que ao menos me fizesse mais branda e não tão intensa. Que amar seja recíproco e que me dê doses de serenidade.
Que viver me deixe de ser esta busca ridícula do impossível.
 
Melina.
Estou num tempo caótico, tenho necessidade de opções plurais e de sensações singulares. Tenho asas, tenho sonhos. Tenho gosto pelo vasto.
Meus desejos são desorganizados, mutáveis. De exato em mim somente minha desordem. Estou em chamas, sem freios,
entregue ao sujo e ao belo. Meus olhos são inquietos, meu corpo não
se cala. Sou cheia de verdades e alguns exageros, algumas loucuras e uma lucidez que por vezes me estraga a saúde.
Liberdade vem de dentro pra fora. Nasce quando a gente deixa de se culpar. Me limitam porque são presos à si mesmos.
Não me preocupo em me entender. Gosto de me sentir ácida e misteriosa.
 
Melina Flynn

Fatalité.

Não sei de horários e datas, não atendo a porta e desliguei os telefones. Quero me zerar, me anular do mundo
para que as coisas voltem ao início, mas não sei bem onde comecei, só sei que não quero continuar me perdendo assim.
Abro as janelas, deixo gotejar aqui dentro. Me debruço pra ver as vidas passando e a minha aqui, paralisada.
Sou de urgências, de entregas, de impulsos, de agora ou nunca. Me jogo no que acredito, e tenho acreditado pouco.
Me chamaria de incontável, tanto para meus desgastes quanto para minhas alegrias. Não engulo o que
me chega de inesperado, muito menos o que vai para não mais voltar.
É insuportável para mim que um dia as coisas cheguem ao seu devido fim. Vivo tentando me acostumar com a vida mas
é sempre difícil, nunca é a mesma, mesmo sendo tão óbvia.
Às vezes sou tão submissa ao que sinto, tão entregue ao perigo que corre dentro
de mim. Agora, dentro e fora só avisto deserto.


Melina Flynn
Pisava fundo esperando que o amanhã trouxesse o agradável. E vinha o amanhã, mas nunca o agradável. Perdi-me num tempo sem distância ou ponteiros. Uma vítima da própria loucura de querer clareza. E sou turva, ilegível. Conservo-me nem por fora e muito menos por dentro: cansei do exílio.
Espero de mim, tanto, agora, a chegada, porque só vejo partida.

Melina.
Sou dessas que se faz de uma pra ser outra, e assim sucessivamente. É de provocações que vivo. As lembranças me atravessam a todo instante. Ainda não descobri a utilidade dos meus ouvidos que não seja para aquela voz e alguma música. Não ouço aos outros. E vejo seletivamente, em instantes. Meu instante é breve e pulsa longo, sem fim. Meu tempo não caminha: corre, tropeça, rala, rola. Não tenho freios. Quero minhas verdades escancaradas me atiçando o pulsar.

Melina Flynn!