quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Recomeços.

Às vezes é preciso se perder nas coisas para se encontrar: Se encontrar em algum lugar; em algum tempo; em alguma estória; em algum espaço que você possa ocupar com o coração aberto e a coragem de quem sente a vida acontecer, não importa como.
Inevitavelmente, em algum momento dessa vida incerta e intempestiva, nós nos perdemos. Sim, nos perdemos da gente. E talvez, essa seja a dor mais pungente: Quando a gente não tem a gente. Quando a gente se procura e não se encontra em lugar algum de nós mesmos.
Inevitavelmente, em algum momento dessa vida incerta e intempestiva, adormecemos e nos perdemos do amor. Sobretudo, quando o coração pulsante se desencontra no seu compasso e se desencaixa do peito, ainda que a fé no amor prevaleça e a gente busque incansavelmente um lugar saudável, para abrigar os nossos sentimentos, enquanto a gente não tem a gente. Eu até pensei em guardar meu coração dentro de uma caixa para protegê-lo do mundo. Para protegê-lo de mim, quando movida pela coragem de SER eu mesma, o deixo disponível e vulnerável a qualquer sorriso.  Mas sabe de uma coisa? Só se entrega ao outro quem ainda carrega dentro do peito uma fé irredutível nas pessoas. Talvez a vida nem seja assim tão justa; ou tão encantadora… Talvez a vida até nos molde, quando abala as nossas estruturas emocionais. Quando dobra as nossas pernas ou retém as nossas asas, quando o que mais queremos é voar. Mas uma coisa eu tenho certeza: Nada fica no mesmo lugar. O mundo gira, o tempo passa e as coisas se transformam. E as pessoas também. Isso é esperança.
É incontestável que acreditar é o que nos move. Por isso mesmo eu deixei de acreditar em quem não tem crenças. Eu deixei de acreditar em quem não acredita. E mantenho, sim, a minha fé no amor e nas pessoas, apesar de… E mesmo diante dessa espera interminável, sobre o que eu nem sei o que é, aprendi com o incerto, que a coragem de quem ama está justamente nessa possibilidade de driblar o medo até chegar do outro lado da alma de alguém, só para conseguir tocá-la. É aí que a gente segue na direção do novo e recomeça. E aproveita essa esperança bonita para ser feliz.
Sim, a minha vida é feita de recomeços. E não preciso doer mais para aprender a recomeçar. Isso eu já aprendi. Agora eu recomeço e pronto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Elis Regina escreveu : "Sou apenas o meu tipo inesquecível apesar de, ás vezes, me achar uma porcaria."

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Descaminhos.

Quando não quero mais ser eu, faço uma tatuagem. Mudo o cabelo, troco de emprego, de amigos, mudo tudo. No fim acabo sobrando de frente pro espelho e sou eu de novo, um pouco mais colorida, um pouco mais solitária, bem menos humana e sociável. Eu me volto pras palavras e venero seus encantos, como se por me descreverem pudessem me bastar. Palavra não faz carinho, menina, palavra não dá colo. É de abraço que eu preciso quando não há mais letra, tatuagem, tinta, papel, caneta, poesia. Quando não tem mais rima, é de corpo e conforto que eu preciso.

O tempo, superestimado, não muda nada. Só faz confundir realidade e passado num borrão sem cor. Eu vivo de acreditar na próxima semana, minhas esperanças estão no próximo mês. Quando me oferecem um próximo ano e contam as horas e os segundos pra que ele chegue, eu só quero me cobrir até os olhos e pedir arrego do mundo. Não me faça encarar toda a responsabilidade de um novo tempo, não posso admitir que cheguei ao fim do prazo sem cumprir com meus planos.

Quero todas essas fantasias de dezembro. Quero a pureza de acreditar numa nova vida. A leveza de esperar um mundo novo no segundo em que 2011 se torna 2012. Tudo novo, tudo limpo, tudo pronto pra ser diferente. Ar fresco, um alívio ou certa angústia, é tempo de ser mais eu. É tempo de me esquecer, de me perder, tempo de ter mais tempo.

Se num dia desses eu encontrar o que eu procuro, nesses caminhos tão avessos, talvez eu não precise das palavras. E então serei eu, de frente pro espelho, sem medo de ser quem me olha de volta.
Quero você aqui, no meio das minhas coisas, meus livros, discos, filmes, minhas ideias, manias, suspiros, recortes.
Respirando o mesmo ar e todas coisas que alimentam àquela nossa, tua, minha inesgotável saudade.
Entra, não pergunte se pode ficar. Vem e fica.

 Gabito Nunes

domingo, 1 de janeiro de 2012

Meu 2012 não começou muito bem, mas é como diz Guimarães Rosa "O que tem de ser tem muita força, uma força enorme."


Decepção ensina a gente a viver ;)



FELIZ ANO NOOOOVO, QUE 2012 SEJA REALMENTE NOVO!
"A tua solidão é tão vasta quanto a minha.
Confessa.
Tuas noites são povoadas por saudades...e memórias.
Tu também olhas pela janela
nas altas madrugadas desejando um amor...em segredo.
Tu também te perdes,
caminhos errados, pessoas estranhas
– o santo não bate, lembra?
Ninguém desconfia das tuas angústias.
Nem mesmo eu.
E então, com meia dúzia de palavras bonitas,
mas difíceis, tu te desnudas.
Sem querer?
Não te imagino intencional.
És um aviãozinho de papel a vagar pelos ventos sem rumo.
Engana-te se achas que é possível
ser terrivelmente feliz nestes esconderijos.
Abre-te para os encantos.
É lá que moram os olhares encontrados,
a pele arrepiada,o pé que encosta no outro sem aviso.
 As mãos dadas.
Tu me encantas...longe, perto, sem saber..."
**Paula Pfeifer**
(Foto by CathPhraser )

Então ela deixou o coração de molho por três dias.
Depois disso ela o lavou bem com água e sabão.
Esfregou, esfregou…
Até ferir as mãozinhas.
Foi quando percebeu que algumas manchas não saem nunca mais."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

 
 
"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila.
Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”.
A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa.
E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros.
Aprendi prestando atenção."





Rubem Alves

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Caminho

Entre as coisas que não quero ser na vida,
‘incompleta’ é uma delas.
[Camila Heloíse]
Eu não queria ser diferente. Mesmo que minha cabeça funcione como uma máquina de lavar, dando voltas sem fim, não queria ser outra pessoa, ser normal. Digo isso porque todo mundo me olha como se eu fosse de outra espécie, como se eu viesse de outro planeta. Todos os dias eu me visto como uma mulher normal e simples. Mas sei que ninguém me vê assim.
Embora todo mundo cobre o tempo inteiro respostas perfeitas da minha boca, vai uma dica que eu espero que não esqueçam: eu não tenho a menor idéia do que fazer! Mesmo que às vezes eu pareça sensata demais, coerente demais, racional demais, concreta demais. Eu sou apaixonada demais, inconseqüente demais, frustrada demais e bem menos esperta do que pareço.
Por isso que às vezes me assusto e vou embora dos lugares. Eu fujo dos amigos, dos amores, dos livros e dos meus textos. Porque ficar me cobra demais, me espero sempre mais, um pouco mais até me esticar tanto que quando os membros voltam pro lugar me arrebento. Já nem consigo lembrar de onde foi que parti.
Então eu vou embora, como se fosse pra sempre. Vou embora em silêncio e sem a menor vontade de ser seguida. Não levo chinelos, não levo recordações. Vou como se não me preocupasse com os serviços ‘pela metade’ que deixei pra trás. Parto como se não me importasse. Parto como se nem tivesse existido.
E é de longe que eu começo a brotar outra vez. É no vazio e na falta de palavras que me dou conselhos, que consigo ser coerente pela primeira vez em ter uma gota de paciência nesta minha mania de atropelar pessoas, coisas, paixões, amizades e transformar qualquer festa em um conflito terrível dentro da minha cabeça máquina-de-lavar.
Depois de preencher os vazios que eu mesma criei, volto devagar, com medo, volto assustada até que a vida me devolva por completo. Volto como agora, com os olhos implorando pra ninguém me exigir nada, porque eu estou chegando ao mundo agora e eu não sei me doar ainda, mas sei que vou aprender de novo, e eu prometo, como das outras milhões de vezes que fui embora e acabei voltando.

cuidado coração, cuida-do-coração


Certa vez eu pensei: Não tenho um coração, não mais.
Não falo da forma de não ter nada pulsante em mim. Mas daquela coisa que nos faz escolher o melhor caminho. Aquele coração estava ausente de mim. Estava tão perdida que só imaginava que pudesse ser isso, um vazio. Um buraco feito de um tiro certeiro que veio de qualquer direção que meus olhos desatentos não sabem a origem. Não sabia o que fazer e isso era tão grande que ocupava os espaços da memória, dos sonhos e dos outros sentimentos. Talvez tenha me esquecido até de como era sentir. Certas coisas da vida não necessitam de explicação, apenas um olhar atento e um coração aberto. Nos silêncios calmos e serenos é que o coração encontra o caminho certo e as respostas para nossas perguntas. Mas até para dar este conselho para si mesmo é difícil. É preciso mergulhar nos becos obscuros do próprio espírito, se afundar nas próprias angústias e arrancar com as próprias mãos o centro de todo horror próprio: O medo.
Medo de ter coragem e sucumbir. Medo de olhar para si mesmo uma única vez e se tornar egoísta demais. Medo de olhar sempre em frente e esquecer alguém lá atrás. Medo de se jogar e parecer louco. Medo de arriscar tudo e se tornar tolo demais.
E com toda a fé que ainda me sustentava, mergulhei como nunca dentro da própria existência, e arrancando estes medos, afastando das retinas as cortinas que me impediam de ver (e viver) o que era bom, me fiz silêncio. Só então pude começar a escutar o coração, e ver que ele sempre estave ali me apontando a direção.
Deixei as minhas dores em casa, levei nós dois pra passear. Sentei a sombra pra proteger teus olhos, levei água fresca para te saciar. Esvaziei os pensamentos e os sonhos para o futuro. Coloquei as mãos no peito, pra te fazer carinho. Cantei canções pra te acalmar. Agora vou dar um tempo nas nossas brigas, nas nossas disputas diárias de quem é que tem razão. Prometo, coração, agora vou te cuidar.