| — | Gabito Nunes |
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
O que eu sempre quis.
Sempre quis um homem que me visse como sou. Que percebesse os meus sinais e minha cara amarrada. Que entendesse que meu sorriso às vezes é um simples disfarce. E que no fundo eu sou uma pessoa que sente tudo de forma intensa.
Sempre quis alguém que me ouvisse. Não as bobagens que falo de vez em sempre. Mas o que minha alma não sabe dizer. Que fizesse esforço para captar tudo que não sai da minha boca.
Sempre quis uma pessoa que fosse de verdade. Que tivesse um sentimento puro, que me respeitasse, me valorizasse e, principalmente, soubesse o significado da palavra sinceridade.
Sempre quis alguém com personalidade. Não precisava ter os mesmos gostos e desgostos. Não precisava curtir as mesmas músicas e filmes. E se não gostasse de salada de batatas, tudo bem. Personalidade é importante. Autenticidade, também. É que a gente nunca pode esquecer de ser quem é.
Sempre quis alguém com defeitos. É que aquela fase de querer um homem alto, de olhos verdes, carinhoso, romântico, divertido e com um olhar de canalha ficou lá nos meus 18 anos. Depois de um tempo, a gente percebe que existem coisas muito mais importantes do que belos olhos verdes. Além do mais, perfeição não existe. Ninguém é carinhoso, romântico e engraçado o tempo inteiro. Amor de filme é uma coisa, já o dia a dia é bem diferente. E muito mais gostoso.
Sempre quis um homem que me apoiasse. Que não achasse besteira os meus sonhos. E que me desse força em cada projeto. Que me emprestasse o ombro em cada desilusão.
Sempre quis um homem maduro. Que me tirasse das nuvens de vez em quando. Que me mostrasse outros caminhos, que me desse novos rumos.
Sempre quis alguém para sonhar junto comigo. Porque a gente espera muito pelo futuro. E quando o amor chega não tem nada melhor do que ir em busca do que virá de mãos dadas e coração coladinho.
Hoje eu entendo que sempre quis você. Ainda bem que te tenho.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Recomeços.
Às vezes é preciso se perder nas coisas para se encontrar: Se encontrar em algum lugar; em algum tempo; em alguma estória; em algum espaço que você possa ocupar com o coração aberto e a coragem de quem sente a vida acontecer, não importa como.
Inevitavelmente, em algum momento dessa vida incerta e intempestiva, nós nos perdemos. Sim, nos perdemos da gente. E talvez, essa seja a dor mais pungente: Quando a gente não tem a gente. Quando a gente se procura e não se encontra em lugar algum de nós mesmos.
Inevitavelmente, em algum momento dessa vida incerta e intempestiva, adormecemos e nos perdemos do amor. Sobretudo, quando o coração pulsante se desencontra no seu compasso e se desencaixa do peito, ainda que a fé no amor prevaleça e a gente busque incansavelmente um lugar saudável, para abrigar os nossos sentimentos, enquanto a gente não tem a gente. Eu até pensei em guardar meu coração dentro de uma caixa para protegê-lo do mundo. Para protegê-lo de mim, quando movida pela coragem de SER eu mesma, o deixo disponível e vulnerável a qualquer sorriso. Mas sabe de uma coisa? Só se entrega ao outro quem ainda carrega dentro do peito uma fé irredutível nas pessoas. Talvez a vida nem seja assim tão justa; ou tão encantadora… Talvez a vida até nos molde, quando abala as nossas estruturas emocionais. Quando dobra as nossas pernas ou retém as nossas asas, quando o que mais queremos é voar. Mas uma coisa eu tenho certeza: Nada fica no mesmo lugar. O mundo gira, o tempo passa e as coisas se transformam. E as pessoas também. Isso é esperança.
É incontestável que acreditar é o que nos move. Por isso mesmo eu deixei de acreditar em quem não tem crenças. Eu deixei de acreditar em quem não acredita. E mantenho, sim, a minha fé no amor e nas pessoas, apesar de… E mesmo diante dessa espera interminável, sobre o que eu nem sei o que é, aprendi com o incerto, que a coragem de quem ama está justamente nessa possibilidade de driblar o medo até chegar do outro lado da alma de alguém, só para conseguir tocá-la. É aí que a gente segue na direção do novo e recomeça. E aproveita essa esperança bonita para ser feliz.
Sim, a minha vida é feita de recomeços. E não preciso doer mais para aprender a recomeçar. Isso eu já aprendi. Agora eu recomeço e pronto.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Descaminhos.
Quando não quero mais ser eu, faço uma tatuagem. Mudo o cabelo, troco de emprego, de amigos, mudo tudo. No fim acabo sobrando de frente pro espelho e sou eu de novo, um pouco mais colorida, um pouco mais solitária, bem menos humana e sociável. Eu me volto pras palavras e venero seus encantos, como se por me descreverem pudessem me bastar. Palavra não faz carinho, menina, palavra não dá colo. É de abraço que eu preciso quando não há mais letra, tatuagem, tinta, papel, caneta, poesia. Quando não tem mais rima, é de corpo e conforto que eu preciso.
O tempo, superestimado, não muda nada. Só faz confundir realidade e passado num borrão sem cor. Eu vivo de acreditar na próxima semana, minhas esperanças estão no próximo mês. Quando me oferecem um próximo ano e contam as horas e os segundos pra que ele chegue, eu só quero me cobrir até os olhos e pedir arrego do mundo. Não me faça encarar toda a responsabilidade de um novo tempo, não posso admitir que cheguei ao fim do prazo sem cumprir com meus planos.
Quero todas essas fantasias de dezembro. Quero a pureza de acreditar numa nova vida. A leveza de esperar um mundo novo no segundo em que 2011 se torna 2012. Tudo novo, tudo limpo, tudo pronto pra ser diferente. Ar fresco, um alívio ou certa angústia, é tempo de ser mais eu. É tempo de me esquecer, de me perder, tempo de ter mais tempo.
Se num dia desses eu encontrar o que eu procuro, nesses caminhos tão avessos, talvez eu não precise das palavras. E então serei eu, de frente pro espelho, sem medo de ser quem me olha de volta.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Confessa.
Tuas noites são povoadas por saudades...e memórias.
Tu também olhas pela janela
nas altas madrugadas desejando um amor...em segredo.
Tu também te perdes,
caminhos errados, pessoas estranhas
– o santo não bate, lembra?
Ninguém desconfia das tuas angústias.
Nem mesmo eu.
E então, com meia dúzia de palavras bonitas,
mas difíceis, tu te desnudas.
Sem querer?
Não te imagino intencional.
És um aviãozinho de papel a vagar pelos ventos sem rumo.
Engana-te se achas que é possível
ser terrivelmente feliz nestes esconderijos.
Abre-te para os encantos.
É lá que moram os olhares encontrados,
a pele arrepiada,o pé que encosta no outro sem aviso.
As mãos dadas.
Tu me encantas...longe, perto, sem saber..."
**Paula Pfeifer**
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