Derramei três lágrimas: a primeira escorreu pela face e perdeu-se na boca, a segunda morreu achatada contra o assoalho, a terceira caiu na tua mão. E foi a que mais doeu. - Caio F Abreu
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Ele vive por aí. Com aquele meio sorriso de punhal. Com aquelas mãos que nasceram para acariciar cinturas finas. Com aquele ar de quem não faz questão nenhuma. Vive por aí com suas respostas prontas. Com saídas estratégicas. Com promessas criadas apenas para compor seus anseios. Com seu cabelo bagunçado de propósito. Com seu coração duro de propósito. Com a camiseta mais perfumada. Vive por aí com seus drinks e suas cantadas ensaiadas. Com suas voltas e nenhuma parada. Com suas desistências e ironias marcantes. Com seus beijos despreocupados. Com sua carne sensual desprotegida. Ele vive por aí. Com seus interesses que não beneficiam ninguém. Inteiro. Intrigante. Impossível.
Camila Heloíse
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Cansada de sentir felicidade em doses homeopáticas. Entrega-se a tantos beijos tentando encontrar a porta certa, de entrar em algum lugar e ficar pra sempre. Guardando o seu melhor para o melhor momento, mal sabe ela que este momento já passou por debaixo do seu nariz tantas vezes, e que, de tanto se guardar, protegeu-se de histórias de amor que pudessem ter dado qualquer sentido à vida. Traz no peito uma semente de girassol que não vingou. Abafou com tantos medos as verdades doces, distribuindo no lugar sorrisos amarelos e tementes. Foi tragada pelo tempo, pela descrença nos contos, pela falta de fé que as coisas podiam continuar, sem cobrar tanto entendimento do coração. Foi engolida pelo calor da espera, cremada por expectativas vãs. Perdeu-se no silêncio até deixar seu riso mudo, até deixar a esperança calada, até formigar o corpo pela falta de movimento, até se acostumar com a insônia.
E só queria pertencer.
E só queria pertencer.
Ai de mim que me perdi em amores tantos que fiquei tonta. Vivendo alegrias descontinuadas, mal acabadas, alegrias temporárias que arrastei como arrastam-se os dias.
Fiquei assim, um dia macia dentro do abraço do moço que jurou ficar, ficar fora de mim e das minhas vistas míopes. Antes macia, virei pedra de tanto gastar a maciez na vaga lembrança do sabor daquele beijo.
Me perdi de tanto velejar pelos tempos, indo de um lado pro outro sem nunca voltar pra casa, sem nunca ter um lar pra ficar, ficar e deixar meu cheiro. Carreguei tantas mochilas que me desconheço em peso. Não sei se tenho alguns tantos quilos, toneladas ou quilômetros.
Fui tão feliz que o riso enlarguesceu, frouxo agora, caído, já não sabe se abrir com as manhãs. Me perdi, disso eu sei, disso eu só sei.
Farta de tanta gente que passa por mim como se eu fosse uma avenida, destas que se passa com tanta pressa pra não causar engavetamento. Me tocam como corrimão, correm, é tudo tão de pressa que não deixa digitais.
Cansada de não dar tempo de olhar nos olhos pra descobrir se é a hora de ficar e me fazer feliz. Exausta de me repetir milhões de vezes que mereço algo bom pra sempre e o coração sentir o contrário. Quero pertencer às contas que somam e nunca terminam, e poder ficar, em dias de sol ou de temporal.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ELE anda cansado das baladas e dos casos furtivos sem sentimentos. Aprendeu a gostar da própria companhia, sem precisar estar em uma turma de amigos todos os sábados. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno, mas que traga um sabor doce às suas manhãs, que seja a melhor companhia para olhar a lua. Que ele possa exibir os seus dons na cozinha e o seu conhecimento em vinhos, só para ela.
Quer uma mulher que ele reconheça pelo cheiro dos cabelos, pelo toque dos dedos, pela gargalhada que vai ecoar pela casa transformando um domingo sem graça, no melhor dia da semana. Quer viver uma paixão tranqüila e turbulenta de desejos… quer ter para quem voltar depois de estar com os amigos, sem precisar ficar “caçando” companhias vazias e encontros efêmeros. Quer deitar no tapete da sala e ficar observando enquanto ela, de short jeans, camiseta e um rabo de cavalo, lê um livro no sofá, quer deitar na cama desejando que ela saia do banho com uma lingerie de tirar o fôlego.
Quer brincar de guerra de travesseiros, até que o perdedor vá até a cozinha pegar água. Quer o poder que nenhum dos seus super heróis da infância tiveram… o poder de amar sem medo, sem perigo e sem ir embora no dia seguinte.
Quer provar que pode fazer essa mulher feliz!
ELA quase deixou de acreditar que seria possível ter vontade de se envolver novamente. Foram tantas dores, finais, recomeços e frustrações que pensou em seguir sozinha para não mais se machucar. Então percebeu que a vida de solteira já não está fazendo tanto sentido. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno, mas que possa acordá-la com um abraço que fará o seu dia feliz, quer um homem que ela possa cuidar e amar sem receios de que está sendo enganada. Quer a alegria dos finais de semana juntinhos, as expectativas dos planos construídos, o grito de “gol” estremecendo a casa quando o time dele estiver ganhando… a cumplicidade em dividir os segredos.
Quer observá-lo sem camisa, lendo o jornal na varanda… quer reclamar da bagunça no banheiro, rindo e gritando quando ele revidar puxando-a para o chuveiro, completamente vestida.
Quer a certeza de abrir a porta de casa e saber que mesmo ele não estando, chegará a qualquer momento trazendo o brigadeiro da doceria que ela gosta tanto. Quer beijar, cheirar, morder, beliscar e apertar para ter certeza que a felicidade está ali mesmo… materializada nele.
Quer provar que pode fazer esse homem feliz!
ELES estão por aí… sonhando um com o outro… talvez ainda nem se conheçam… mas é só uma questão de tempo, até o destino unir essas vidas que se complementam e estão ávidas para amar e fazer o outro feliz.
Ou alguém duvida que o universo traz aquilo que desejamos?
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