sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

 
 
"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila.
Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”.
A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa.
E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros.
Aprendi prestando atenção."





Rubem Alves

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Caminho

Entre as coisas que não quero ser na vida,
‘incompleta’ é uma delas.
[Camila Heloíse]
Eu não queria ser diferente. Mesmo que minha cabeça funcione como uma máquina de lavar, dando voltas sem fim, não queria ser outra pessoa, ser normal. Digo isso porque todo mundo me olha como se eu fosse de outra espécie, como se eu viesse de outro planeta. Todos os dias eu me visto como uma mulher normal e simples. Mas sei que ninguém me vê assim.
Embora todo mundo cobre o tempo inteiro respostas perfeitas da minha boca, vai uma dica que eu espero que não esqueçam: eu não tenho a menor idéia do que fazer! Mesmo que às vezes eu pareça sensata demais, coerente demais, racional demais, concreta demais. Eu sou apaixonada demais, inconseqüente demais, frustrada demais e bem menos esperta do que pareço.
Por isso que às vezes me assusto e vou embora dos lugares. Eu fujo dos amigos, dos amores, dos livros e dos meus textos. Porque ficar me cobra demais, me espero sempre mais, um pouco mais até me esticar tanto que quando os membros voltam pro lugar me arrebento. Já nem consigo lembrar de onde foi que parti.
Então eu vou embora, como se fosse pra sempre. Vou embora em silêncio e sem a menor vontade de ser seguida. Não levo chinelos, não levo recordações. Vou como se não me preocupasse com os serviços ‘pela metade’ que deixei pra trás. Parto como se não me importasse. Parto como se nem tivesse existido.
E é de longe que eu começo a brotar outra vez. É no vazio e na falta de palavras que me dou conselhos, que consigo ser coerente pela primeira vez em ter uma gota de paciência nesta minha mania de atropelar pessoas, coisas, paixões, amizades e transformar qualquer festa em um conflito terrível dentro da minha cabeça máquina-de-lavar.
Depois de preencher os vazios que eu mesma criei, volto devagar, com medo, volto assustada até que a vida me devolva por completo. Volto como agora, com os olhos implorando pra ninguém me exigir nada, porque eu estou chegando ao mundo agora e eu não sei me doar ainda, mas sei que vou aprender de novo, e eu prometo, como das outras milhões de vezes que fui embora e acabei voltando.

cuidado coração, cuida-do-coração


Certa vez eu pensei: Não tenho um coração, não mais.
Não falo da forma de não ter nada pulsante em mim. Mas daquela coisa que nos faz escolher o melhor caminho. Aquele coração estava ausente de mim. Estava tão perdida que só imaginava que pudesse ser isso, um vazio. Um buraco feito de um tiro certeiro que veio de qualquer direção que meus olhos desatentos não sabem a origem. Não sabia o que fazer e isso era tão grande que ocupava os espaços da memória, dos sonhos e dos outros sentimentos. Talvez tenha me esquecido até de como era sentir. Certas coisas da vida não necessitam de explicação, apenas um olhar atento e um coração aberto. Nos silêncios calmos e serenos é que o coração encontra o caminho certo e as respostas para nossas perguntas. Mas até para dar este conselho para si mesmo é difícil. É preciso mergulhar nos becos obscuros do próprio espírito, se afundar nas próprias angústias e arrancar com as próprias mãos o centro de todo horror próprio: O medo.
Medo de ter coragem e sucumbir. Medo de olhar para si mesmo uma única vez e se tornar egoísta demais. Medo de olhar sempre em frente e esquecer alguém lá atrás. Medo de se jogar e parecer louco. Medo de arriscar tudo e se tornar tolo demais.
E com toda a fé que ainda me sustentava, mergulhei como nunca dentro da própria existência, e arrancando estes medos, afastando das retinas as cortinas que me impediam de ver (e viver) o que era bom, me fiz silêncio. Só então pude começar a escutar o coração, e ver que ele sempre estave ali me apontando a direção.
Deixei as minhas dores em casa, levei nós dois pra passear. Sentei a sombra pra proteger teus olhos, levei água fresca para te saciar. Esvaziei os pensamentos e os sonhos para o futuro. Coloquei as mãos no peito, pra te fazer carinho. Cantei canções pra te acalmar. Agora vou dar um tempo nas nossas brigas, nas nossas disputas diárias de quem é que tem razão. Prometo, coração, agora vou te cuidar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

"Dias melhores. Caminhos novos, eu tenho fé, eu acredito.
A lua ainda fala comigo."
"Tinha uma criação de duzentas e oitenta e cinco borboletas na barriga, mas uma a uma elas vão fugindo. e dói."
    O acaso sempre dava um jeito de pô-los novamente juntos. Assustadoramente iguais, procuravam-se quase que por reflexo. Uma mensagem aleatória, uma ligação espontânea, uma vontade qualquer eram o suficiente para colocá-los outra vez nos braços um do outro, sem prudência ou perspectiva.
    Ele não disfarçava suas intenções, ela não o desencorajava. Ele mordia o lábio, ela não escondia o arrepio. Ele investia, ela não se esquivava. Longe dos olhares de censura, seguiam sua natureza humana como uma espécie de afronta à rotina, às convenções, aos relacionamentos comuns. Queriam-se sem se pertencerem. Tinham-se sem se cobrarem. Amavam-se sem se amarem.
    Toda essa naturalidade, porém, tinha prazo de validade. Talvez ela se apaixonasse e fosse viver uma história de amor com um terceiro; talvez ele cansasse daquela incerteza; ou talvez eles simplesmente decidissem que passaram dos limites. O fato é que jamais saberiam previamente quando seria a última vez que se encontrariam, pois seus instintos estavam conectados, de modo que, quando a solidão apertasse, eles invariavelmente se buscariam sedentos de familiaridade.
    Enquanto o “talvez” não os afastava, contudo, iam alimentando o que tinham sem sequer mencionar o futuro. Somente pele, vontade e uma pitada de malícia.



- Paula Braga.
  
  O acaso sempre dava um jeito de pô-los novamente juntos. Assustadoramente iguais, procuravam-se quase que por reflexo. Uma mensagem aleatória, uma ligação espontânea, uma vontade qualquer eram o suficiente para colocá-los outra vez nos braços um do outro, sem prudência ou perspectiva.
    Ele não disfarçava suas intenções, ela não o desencorajava. Ele mordia o lábio, ela não escondia o arrepio. Ele investia, ela não se esquivava. Longe dos olhares de censura, seguiam sua natureza humana como uma espécie de afronta à rotina, às convenções, aos relacionamentos comuns. Queriam-se sem se pertencerem. Tinham-se sem se cobrarem. Amavam-se sem se amarem.
    Toda essa naturalidade, porém, tinha prazo de validade. Talvez ela se apaixonasse e fosse viver uma história de amor com um terceiro; talvez ele cansasse daquela incerteza; ou talvez eles simplesmente decidissem que passaram dos limites. O fato é que jamais saberiam previamente quando seria a última vez que se encontrariam, pois seus instintos estavam conectados, de modo que, quando a solidão apertasse, eles invariavelmente se buscariam sedentos de familiaridade.
    Enquanto o “talvez” não os afastava, contudo, iam alimentando o que tinham sem sequer mencionar o futuro. Somente pele, vontade e uma pitada de malícia.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011



Que seja cumplicidade, porque a vida já é difícil sem afetos. o som dos passos no corredor pode ser um conforto inacreditável, o corpo ao lado na cama uma âncora para a alma aflita.


Lya Luft

sábado, 19 de novembro de 2011

“Não se trata de incapacidade de sentir a coisa, sou um ser humano plenamente funcional. Mas, sabe aquela do Stevie Wonder, “I Just Called To Say I Love You”? Pois é, não está na minha lista.”

”Se me perco no teu beijo, você fica tentando encontrar um caminho. Quando me encho de receio, você me diz estar pronta. Eu te ponho em xeque-mate, você me diz que cansou de jogar. Quando não quero me machucar, você me telefona no meio da noite.”
Gabito Nunes
Estou te ligando movido pela vontade de reaver você e aquilo que tínhamos até semana passada. Eu penso em você dia e noite e fico ridiculamente abalado se a gente acaba brigando. Eu acho que te amo, garota.”
Gabito Nunes