domingo, 3 de julho de 2011

Na segunda parte do outono, as chuvas castigam as sextas e o inverno começa a dar seu cartão de visita com seu friozinho noturno. É bom. Me faz lembrar nossas noites sob o edredom brigando pelo controle do controle do remoto. Minha cama continua no mesmo lugar, embaixo da janela que abríamos para procurar a lua. Eu continuo no mesmo lugar. É engraçado como a gente termina as coisas em busca de mudanças e percebe que as coisas continuam as mesmas. E nesta noite que mal começou, as pessoas colocam suas roupas bonitas. Perfumam-se com suas novas fragâncias. Tudo artificial. Tudo superficial. Eu continuo aqui procurando a lua. No escuro, no frio e enjoado da TV. Prestes a entrar na próxima esquina só para conhecer um novo caminho para me tirar daqui. Ou me fazer voltar para lá. É engraçado como a gente termina as coisas em busca de mudanças e perceber que quer voltar aos segundos antes de entrar em outra avenida, em outra menina. Meus livros de cabeçeiras estão cansados de mim e da minha velha forma de abri-los em alguma página aleatória afim de encontrar respostas. Eu sou estranho e jogo tarot com os livros. O mundo continua lá, girando, cada vez para mais longe de mim. Me tranco em meu quarto sem vontade de afastar os outros, mas já afastando. Convencendo-me de que as canções do Coldplay poderão me embalar ou me ninar durante mais uma noite longa de outono. Baixinho, para que nem eu, nem Deus possa ouvir, pergunto: “Onde está você?”. Nesses momentos em que eu toparia qualquer coisa para te trancar aqui comigo. Ou te levar para qualquer lugar. Eu casaria com você daqui a algumas horas. Ou até você ajeitar o cabelo e achar algum vestido legal para fotografias eternas. É engraçado como a gente termina os planos, mas os sonhos continuam perpétuos dentro de nós.

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